Os Vilões e os Mocinhos de Deadlock: quem é herói e quem é vilão no elenco?


Os seis novos herois de Deadlock do update Old Gods, New Blood, da esquerda para a direita: Apollo, Celeste, Graves, Rem, Silver e Venator

Toda vez que um jogo lança personagens novos, a comunidade faz a mesma pergunta: quem é o mocinho e quem é o vilão? Em Deadlock, a resposta é deliciosamente complicada. O jogo foi construído em cima de uma ideia perturbadora: todo herói que você controla está, na verdade, servindo a um deus antigo para realizar um desejo pessoal. Ou seja, quase ninguém ali é santo.

Com a chegada do update Old Gods, New Blood (lançado em janeiro de 2026), seis personagens novos entraram na Cursed Apple, e cada um cai num ponto diferente da balança moral. Neste post, vamos mapear esse elenco entre mocinhos, vilões e a enorme zona cinzenta no meio.

OBS: A lore de Deadlock ainda está em fase beta. Muita coisa aqui vem de textos in-game, falas e das biografias dos heróis, e pode ser alterada ou descartada pela Valve no futuro. Trate como um retrato do momento, não como verdade absoluta.

A grande virada: os vilões de verdade são os Patronos

Antes de apontar dedos para os personagens, é preciso entender a estrutura do mundo. Cada time em Deadlock serve a um - uma dessas entidades cósmicas chamadas de Chama de Safira e Mão de Âmbar. Esses deuses querem uma coisa só: cruzar para o plano terrestre de forma permanente. E, para isso, usam humanos (e criaturas) como peças descartáveis de um ritual.

O próprio nome do update entrega o tom: "Old Gods, New Blood" (Deuses Antigos, Sangue Novo). Os deuses antigos são os Patronos; o sangue novo somos nós, os heróis, alimentando a máquina. Sob essa ótica, os grandes vilões da história não estão no elenco jogável - eles são os objetivos que você destrói no fim da partida.

Isso muda tudo. A maioria dos personagens não é "do bem" nem "do mal" por natureza: eles são pessoas (ou monstros) com um desejo forte o suficiente para fecharem um pacto com um deus. Alguns querem coisas nobres. Outros, nem tanto.

O ritualVencer a partida = completar a invocação de um Patrono. A gameplay É a lore.
Os heróisCompetidores com desejos próprios, não soldados de um exército do bem.
A exceçãoGuardaGuarda foi treinado desde o nascimento para impedir os Patronos de entrarem no mundo. Um raro mocinho de causa.

Os mocinhos: quem luta por algo maior que si mesmo

Poucos personagens de Deadlock encaixam no papel clássico de herói. Entre os novos, dois chegam perto.

Venator - o caçador sagrado

VenadorVenador talvez seja o personagem mais próximo de um "mocinho" que o update trouxe. Por trás do capuz está Padre Quinn Rourke, membro dos Venators de São Bento, uma ordem sancionada pelo Vaticano que caça predadores sobrenaturais mundo afora. Ele foi enviado a Nova York com uma missão clara: aniquilar o mal que fervilha na cidade.

O detalhe interessante é que Venator não serve a nenhum dos Patronos por desejo pessoal - ele quer destruir os dois. Mas não se engane achando que ele é um santo de luz: sua filosofia é sombria e pragmática. "Não cabe a nós questionar o que é necessário. Cabe a nós ter a vontade de fazer o que for preciso." É o tipo de herói que paga preços terríveis em nome do bem maior. Justiceiro, sim - mas com as mãos sujas.

Rem - o inocente perdido

Se existe uma alma genuinamente pura no elenco, é RemRem. Rem é uma criatura de um mundo dos sonhos que acabou parando em Nova York por acidente - uma espécie de grifo sem asas, acompanhado de bichinhos curiosos chamados "Lil Helpers". Ele não quer poder, vingança nem trono.

O objetivo de Rem é comovente na sua simplicidade: ele só quer voltar para casa, para a família. É literalmente o que ele pede a quem cruza seu caminho: "Me ajuda a chegar em casa!" Preguiçoso, sonolento e avesso a conflito (ele resolve tudo no grito de "GUERRA DE TRAVESSEIROS!" em vez de briga de verdade), Rem invoca o Patrono apenas porque essa é sua única chance de reencontrar o próprio mundo. É um dos raros personagens sem maldade nenhuma - só um viajante deslocado tentando achar o caminho de volta.

💡 Dica de lore

O nome "Rem" é uma referência ao sono REM (Rapid Eye Movement), a fase em que sonhamos. Combina com sua origem no mundo dos sonhos e com suas habilidades de colocar inimigos para dormir.


A zona cinzenta: nem herói, nem vilão

É aqui que mora a maior parte do elenco de Deadlock - e a parte mais interessante. São personagens danificados, egoístas ou perigosos, mas que não chegam a ser vilões.

Silver - a caçadora que luta contra si mesma

PrataPrata é Lilah Silver, uma caça-recompensas que também é lobisomem. A biografia dela não poupa: "Lilah Silver é uma bagunça. Bebe demais, fuma demais, e quanto menos se falar da vida pessoal dela, melhor." Mesmo assim, ela construiu fama caçando criminosos - o que a coloca, tecnicamente, do lado da lei.

As falas dela confirmam o retrato: entre um "Alguém tem um whisky aí?" e um "Vamos ver quem está no quadro de recompensas...", Silver caça criminosos com preguiça profissional ("Recompensa mais fácil do dia"). O desejo dela não é dominar ninguém: ela quer prosperar, vencer seus próprios demônios (literais e figurados) e manter a licantropia sob controle. Sua transformação em fera acontece quando a sede de sangue toma conta no meio do combate. É uma anti-heroína clássica: capaz do bem, mas em constante guerra com a própria natureza.

Graves - a necromante adolescente

Ninguém espera que uma garota que ergue mortos seja simpática, mas MortíciaMortícia surpreende. Darcy Graves é filha de advogados de defesa poderosos e cresceu sentindo-se negligenciada, achando conforto em cemitérios. Num deles, desenterrou a mão decepada de um lich - um necromante ancião - que buscava havia anos uma aprendiz.

Em vez de fugir apavorada, Graves aceitou aprender, mesmo achando a situação absurda: "Ótimo! Estou correndo por Manhattan com uma mão de lich decepada. Como isso virou a minha vida?" Hoje ela equilibra o dever de casa ("tenho lição de física pra fazer") e os pais advogados com os pedidos dos "moradores do cemitério", cada um com assuntos pendentes. Ela não usa a magia da morte para dominar o mundo, e sim para resolver pendências de espíritos. É macabra por fora, mas movida por empatia - uma cinzenta que pende para o bem.

Celeste - o unicórnio que protege a família

CelesteCeleste esconde um segredo brilhante: ela é literalmente um unicórnio disfarçado de artista humana no sideshow de Coney Island. Ela oculta a verdadeira natureza por medo de caçadores atrás do seu chifre, e o público acha que a aparência exótica é só figurino de palco.

Sua motivação é puramente afetiva: proteger a família que encontrou no circo, gente como o Blockhead Lenny (que ela defende com um carinho resignado: "Eu tentei avisar, mas você conhece o Lenny"). Segundo a lore, quando um dos seus se enrola numa dívida que custa parte da própria alma, Celeste topa arriscar expor sua identidade para ajudar. A moral dela não é de regras, é de laços, como ela mesma resume nas falas do jogo: "Eles são o meu povo, sabe?" e "Vou proteger meus amigos."

Apollo - o príncipe arrogante

Nem todo cinzento é simpático. ApolloApollo é o príncipe de Ixia, nação de "beleza, tradição e conflito", enviado a Nova York para escapar da violência política em casa. Hoje é capitão do time de esgrima da Blackmore Academy e espera um dia voltar para reivindicar a lâmina ancestral da família.

O problema é o ego. Apollo se acha acima de todo mundo e faz questão de lembrar: "Se estivéssemos em Ixia, você não ousaria falar assim comigo", ele cospe, e completa que "em Ixia, líderes lideram, não delegam". Trata cada partida como palco para provar superioridade ("É uma honra guiá-los à vitória") e humilha quem o desafia no duelo: "VOCÊ NUNCA DEVERIA TER TENTADO DUELAR COMIGO, PARADOXA!" Ele não é vilão - só é elitista, disciplinado e movido por honra pessoal, não por altruísmo. O tipo de aliado que ganha a luta e depois te lembra que foi ele quem ganhou.


Os vilões: os predadores das ruas

Se os Patronos são os vilões cósmicos, existem também os vilões de rua - personagens cujo prazer é o próprio caos ou a caçada. Eles não são novos deste update, mas ajudam a fechar o retrato do elenco.

  • AndarilhoAndarilho é o mais próximo de um vilão puro: um andarilho que aterroriza a cidade, caçando por puro prazer. A filosofia dele é arrepiante: "Matar não tem graça se alguém está te mandando. Você tem que sentir no momento. Que nem jazz." Sem causa, sem bandeira, só um predador urbano anunciando que "a caçada começa".
  • BillyBilly, o bode punk, é a personificação do caos gratuito. Ele não quer dominar nada; só quer ver o circo pegar fogo e quebrar tudo pelo caminho.
  • PorteiroPorteiro vive na fronteira: educado e prestativo por fora, mas prende inimigos num pesadelo pessoal, cutucando os traumas de cada um. Anti-herói ou vilão, depende de quem ele está torturando.

Então, existe mocinho em Deadlock?

A grande sacada narrativa de Deadlock é que a pergunta "quem é o herói?" quase não tem resposta limpa. O elenco é feito de gente ambiciosa, quebrada, perigosa ou perdida - e o verdadeiro antagonista é o próprio ritual que os move. Até os mais "do bem", como Venator, aceitam fazer coisas terríveis; e até os assustadores, como Graves e Silver, têm um coração no lugar certo.

No fim, Deadlock não divide o mundo entre mocinhos e vilões. Ele coloca todo mundo na mesma mesa, dá a cada um um desejo forte demais para recusar, e deixa o caos da Cursed Apple decidir o resto. Talvez seja por isso que o elenco funcione tão bem: porque, assim como na vida real, ninguém ali é só uma coisa.

👉 E você, de que lado fica? Acha que Venator é mesmo o mocinho da história, ou que os "vilões" como Drifter e Billy são os mais honestos do jogo? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua teoria - sua visão pode ajudar outros jogadores a enxergarem a lore com outros olhos!